quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Som na Caixa: Beijo AA Força - "Beijo AA Força Ao Vivo"


Clássico do rock curitibano

No último sábado completou-se um ano que a banda Beijo AA Força, ícone do punk curitibano, encerrou suas atividades após quase 25 anos em um show antológico que reuniu entre o público figurinhas carimbadas da velha guarda do rock local ''botoxeados e lipoaspirados'', como brincava o vocalista Rodrigo Barros ao microfone.

Na ocasião era lançado seu último álbum, ''Beijo AA Força Ao Vivo'', um item de despedida que registrava algumas de suas melhores músicas, aditivadas com energia de palco. Ainda disponível para venda, o álbum valoriza composições feitas em parceria com Marcos Prado, dono da alcunha de ''poeta maldito'', que faleceu vítima do consumo excessivo de álcool, mesmo fim que tiveram outros boêmios ilustres de Curitiba, como Paulo Leminski e China Meneghetti (este, morto no último domingo).

Sérgio Viralobos e Thadeu Wojciechowski também estão entre as parcerias da banda, que sempre valorizou a poesia marginal e nunca teve receio em juntar samba a seu rock (antes mesmo da fórmula virar moda na década de 90). Nos últimos anos de sua carreira, continuaram a misturar: no show em que foi gravado este álbum, além da sonoridade obrigatória do triunvirato guitarra-baixo-e-bateria, havia participação de um tecladista e de um DJ, enriquecendo ainda mais a parte instrumental.

''Síndrome de D. Juan'', ''Se o Marcos Prado Fosse James Joyce'' e ''Diário de um Palestino'' são algumas das grandes canções do disco, que inclui também o clássico da banda, ''Homem de Ferro'', com toda certeza uma das melhores músicas do rock curitibano, com uma letra sempre atual.

Há uma versão do disco que vem com um DVD-R com três músicas, sendo um videoclipe e duas filmagens ao vivo. Também está disponível o CD ''Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força'', lançado em 2003, em comemoração aos 20 anos da banda.

Serviço: O CD pode ser adquirido a R$ 10 através do e-mail chefatura@gmail.com

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 26-03-2008

Som na Caixa: Mariposa - "Use o Assento Para Flutuar"


Riffs graves e viajantes

Apesar do sucesso dos californianos do Queens of the Stone Age no Brasil, seu estilo musical, o stoner rock, fez poucos rebentos por aqui. A banda Mariposa, de São Paulo, é um deles. Tocam direitinho o mix de estilos setentistas que deu origem ao gênero (hard rock de macho com psicodelia, space-rock e proto-punk) e fazem referência a drogas diversas, como manda o figurino stoner (que em uma tradução literal significa ''rock para chapar'').

Seu álbum ''Use o Assento Para Flutuar'' tem na apresentação um bonito trabalho gráfico e inclusão de adereços: quando se abre a caixa de acrílico, encontra-se uma cartela de fósforos personalizada da banda. Desdobrando o encarte, há uma folhinha de papel de seda grudada. Ao colocar o CD para tocar, conclui-se que tudo faz parte de um conceito, pois a sequência de músicas discorre sobre o universo dos entorpecentes (na maioria das vezes de forma sutil, sem escancarar).

''Homem-Bomba'', ''À Beira do Vício'', ''Olhos Vermelhos'', ''Space Cake'' e ''Paraíso Artificial'' são alguns dos títulos. Em outra linha, há letras que tratam de relacionamentos. ''Como Ninguém'' fala do cara que muda seu modo de vida rock'n'roll por causa de uma garota. Na sequência vem ''Eu Não Sei'', fazendo o contraponto com uma letra que diz ''Quero poder ter você pra mim sem ter que perder minha liberdade''.

O que mais se destaca na musicalidade do grupo é a boa sintonia entre as duas guitarras e o trabalho totalmente independente, gravado e pré-mixado no próprio estúdio da banda. Mas também há pontos desfavoráveis. Um deles é o exagero no uso de efeitos de estúdio, saturando demais o som. Outro revés é o vocal pouco audível e sem a força que o estilo precisa - com exceção de ''À Beira do Vício'', a melhor do disco.

Pouco antes da audição terminar, uma surpresa: uma releitura de ''O Doce e o Amargo'', dos Secos e Molhados, em uma versão de quase seis minutos (a original não tinha nem dois minutos). Acachapante!

Serviço: o álbum pode ser adquirido ou baixado através do site www.mariposamusic.com.br

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 19-03-2008

Som na Caixa: Mary Ann Cotton Attacks! - "Eliminando Semelhantes"


Além da eletrônica, do jazz e do rock

Mary Ann Cotton Attacks! é a banda-de-um-homem-só formada pelo músico conhecido como Macarrão (ou Maca, nome formado pelas iniciais de seu projeto). Toca uma guitarra ligada a inúmeros pedais de efeito e comanda uma mesa repleta de maquininhas que reproduzem trechos pré-gravados e também geram sons ao vivo.

Com a descrição acima, as idéias mais imediatas são de um artista de rock eletrônico ou de um DJ que também faz uso de guitarra em seu set, mas a sonoridade de Maca faz melhor que isso e não cai em obviedades e nem clichês. Seu primeiro registro, ''Eliminando Semelhantes'', conta com dez músicas, todas com quebras de andamento, mas com bases lineares, no limiar entre o acessível e o experimental.

As surpresas começam na primeira faixa, ''Alto Lá'', conduzida por um piano grave, remetendo a jazz para trilhas sonoras de filmes, agregado com toques discretos de eletrônica e rock. Esta música segue uma receita utilizada em todo o disco: as bases dificilmente trazem como elemento principal batidas eletrônicas e a guitarra nem sempre soa como tal, fugindo do previsível.

Com uma interessante capitalização de recursos técnicos e de referências musicais (e cinematográficas), o Mary Ann Cotton Attacks! revela-se um projeto diverso e com uma ampla abertura. Uma apresentação ao vivo do músico caberia sem maiores problemas tanto em um show de rock, quanto em uma rave eletrônica, um desfile de modas ou uma apresentação em teatro para um público apreciador de música de vanguarda.

Serviço: O Álbum pode ser adquirido pelo e-mail macarrao_ab@yahoo.com, ou pelo site www.myspace.com/mattacks

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 12-03-2008

Som na Caixa: Guêgo Favetti - "Branco"


O samba dos pinheirais

O álbum ''Branco'' do cantor, compositor e instrumentista paranaense Guêgo Favetti causa surpresa, a começar pela primeira faixa, ''Polaco Nagô'', um samba tradicional, de arranjo percussivo, (e de ótima qualidade) pouco visto e ouvido no repertório dos artistas do Estado que se dedicam à música brasileira.

A inquietação sobre o pouco desenvolvimento que o estilo musical teve no Paraná, cuja colonização gerou um predomínio da cultura européia, é retratado em um texto de apresentação do produtor artístico Ricardo Corona, publicado no encarte.

No entanto, o álbum contraria este 'status quo' e mostra que é possível, sim, fazer bom samba, não apenas no estado, mas no Sul do país. Afinal, se o Rio Grande foi lar de um dos grandes nomes do gênero, Lupicínio Rodrigues, e Santa Catarina tem uma admirável tradição de escolas de samba na capital, o Paraná também tem direito.

Além de sambas dos mais variados tipos, como o samba-canção, samba-jazz, choro e até partido alto, o disco também traz flertes com a MPB tradicional, bossa nova e milongas, invariavelmente com referências à cultura local nas letras - todas as composições são de autores de Curitiba, como Claudio Menandro, Marcelo Sandmann, Luiz Felipe Leprevost, Ricardo Corona e o próprio Guêgo Favetti.

Realizado através da Lei Municipal de Incentivo à cultura, ''Branco'' teve uma produção primorosa, com gravação impecável e presença de músicos e arranjadores de primeira linha. O nome do disco é uma dupla homenagem ao maestro Waltel Branco (que assina o arranjo de ''Vou Pra Ribeira'') e à cidade de Pato Branco, onde Favetti e Corona participaram de diversas rodas de samba.

Serviço: O álbum ''Branco'' pode ser adquirido pelo e-mail: mmgfavetti@uol.com.br

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 05-03-2008

Som na Caixa: Heitor e Banda Gentileza - "ao vivo na Grande Garagem Que Grava"


Banda jovem e promissora

De todos os artistas que compõem a recente cena de ''pop alternativo de Curitiba'', Heitor e Banda Gentileza é o nome com maior potencial para alcançar vôos maiores, tanto dentro quanto fora da cidade.

Este novo registro, o segundo gravado ao vivo na Grande Garagem Que Grava, traz um grupo mais solto em relação ao que se apresentou no mesmo local em 2005 (cuja gravação resultou no primeiro CD, com tiragem esgotada, mas disponível no site da banda para download). Nesse período, a formação aumentou, passando de quarteto a sexteto, possibilitando a inclusão de novos instrumentos (como trompete e saxofone) e uso maior de teclados.

Se no primeiro disquinho a banda já era digna de atenção, com cinco músicas que traziam um agradável espírito jovem, letras inteligentes e musicalidade livre de amarras, neste novo CD (que tem sete faixas e vem com uma raspadinha da loteria federal de brinde) eles dão sequência à evolução natural de seu trabalho. O espaço é aberto para samba rock (''Maior com Sétima''), psicodelia (''Sintonia''), calmaria climática (''Piá de Prédio'') e até valsa-rock (''Tudo a Perder'', a melhor de todas), sempre com o toque pessoal do grupo.

Dentro dos recursos da gravação ao vivo, foi feito o máximo possível, mas ainda não é o suficiente para a banda, que precisa de uma gravação em estúdio para registrar com maior fidelidade todas as nuances de seu trabalho. Se regravassem todas as 12 canções de seus dois CDs ao vivo, teriam um belo disco de estréia.

Serviço: O álbum pode ser adquirido pelo site www.heitorebandagentileza.com.br

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 27-02-2008

Som na Caixa: Bodes e Elefantes - "Bodes e Elefantes"


Libertário, experimental e místico

Guilherme Granado é integrante do Hurtmold, respeitado grupo de post-rock/jazz da capital paulista, formado em sua maioria por músicos vindos de bandas da cena hardcore, com cinco álbuns lançados e uma década de atividades. Em 2007, Granado soltou este que é seu primeiro trabalho-solo, intitulado ''Bodes e Elefantes'', com 13 faixas captadas e desenvolvidas de forma doméstica. Uma tarefa quase solitária (não fosse pela participação do rapper Akin na faixa título e de Gustavo Abreu na finalização e mixagem) em que Granado tocou tudo quanto é instrumento, seja analógico ou digital. Os mais perceptíveis são os que ele usa em sua banda: teclado, vibrafone, percussão e programações.

Uma das principais diferenças em relação ao Hurtmold é a base rítmica. As batidas seguem uma linearidade, quase sem quebras ou mudanças de andamento. Já as texturas e ruídos que acompanham esta base têm uma generosa variação musical, com riqueza de timbres. Há uma boa influência do dub e da psicodelia, sempre de forma centrada e mantendo uma sonoridade próxima do experimentalismo, do jazz e do post-rock de sua banda original. No fundo há algo de místico no que se ouve, de modo sutil. Algumas músicas até poderiam ser classificadas como lounge, mas são sujas demais para o gênero, inquietantes até. A estética crua da gravação lo-fi não combina com elevadores nem consultórios de dentista.

O clima do disco vai ficando mais anárquico à medida em que as faixas avançam, seja pelas músicas ou pelos nomes que elas recebem, como em ''De Raios Laser Eu Me Alimento'', ''Daqui Não Vejo As Pirâmides'' e ''Mora Perto, Mas Vive Longe''. O álbum já foi associado como trilha sonora para filmes inexistentes, o que é uma grande verdade. Suas paisagens auditivas atiçam a imaginação para formar paisagens visuais.

Neste ano, Granado dá sequência a seu trabalho-solo. A partir de amanhã, estará disponível para download gratuito o novo do Bodes e Elefantes, ''Outakes EP'', no site do selo Submarine.

Serviço: CD ''Bodes e Elefantes''
Cantor Guilherme Granado
Onde - Submarine Records: www.submarinerecords.net

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 20-02-2008

Som na Caixa: Motorocker - "Igreja Universal do Reino do Rock"


Com a bênção dos irmãos Young

Desde seu surgimento, em 1993, o Motorocker sagrou-se como uma banda cover do AC/DC (inclusive assinava como Motorocker AC/DC Tribute). Porém, sempre foi muito acima da média da maioria das formações que fazem carreira interpretando os clássicos de dinossauros do rock, pois têm um nível técnico invejável, reproduzindo o original com extrema fidelidade, além de caprichar nas performances ao vivo e compor músicas próprias.

O primeiro álbum, ''Igreja Universal do Reino do Rock'', veio em 2006. São 10 músicas de aproximadamente cinco minutos cada, em que o grupo apresenta um hard rock em estado bruto e sem firulas, tal qual o original australiano. Há também referências a Motorhead, Ramones e Black Sabbath, que sempre caminham juntos no cardápio de preferências dos fãs do gênero.

A primeira metade é de composições em português. O curioso é que durante a audição, temos a nítida impressão que estarmos ouvindo Brian Johnson cantando, mas em nosso idioma. O álbum abre com a faixa que dá nome ao disco. E que o público gospel não se empolgue quanto ao título, pois o Motorocker deixa claro em suas letras que não quer Deus nem o diabo, mas sim levar uma vida de curtição com mulheres, álcool e rock'n'roll, no melhor estilo roqueiro brucutu.

Este tipo de roqueiro, aliás, tem uma denominação específica na Capital e ganhou homenagem. Trata-se da ''malária'', usada para denominar os roqueiros tradicionalistas que frequentam o Largo da Ordem, aqueles mesmos que tomam o famigerado ''tubão'' (refrigerante misturado com cachaça ou vodca). Estes ganharam do Motorocker o divertido hino ''Salve a Malária'', e também são citados em outras duas músicas.

Na segunda metade, o grupo mostra um excelente domínio do idioma inglês em composições próprias como ''Loudest Rock to Crowd'', ''Shadow Road'' e ''Evil Hound'', com espaço para referências a Dead Kennedys e ao filme ''Um Drink no Inferno'', citados de forma sutil nas letras. No encerramento, nada mais justo: ''Back in Black'', clássico do AC/DC.

Serviço: Álbum ''Igreja Universal do Reino do Rock'' pode ser comprado em qualquer uma das lojas listadas no site da banda: www.motorocker.com.br/contato.htm.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 13-02-2008

Som na Caixa: Nico Nicolaiewsky - "Onde Está o Amor?"


Simplesmente amor

Nico Nicolaiewsky é uma das metades do duo gaúcho Tangos & Tragédias, o Maestro Pletzkaya, que, ao lado do violinista Kraunus Sang, viaja pelo mundo com a Sbórnia captando influências locais diversas, condensadas em um curioso caldeirão cultural. No entanto, em seu projeto solo o pianista, acordeonista, cantor e compositor se envolve em uma música intimista e leve cujas letras tratam de um único tema, por sinal o mais abordado na maioria das canções feitas planeta afora: o amor.

No começo, as letras do recém-lançado ''Onde Está o Amor?'' soam de forma tão açucarada que chegam a ser piegas. Mas esta é uma primeira impressão. À medida que o álbum avança, a sensação que toma conta do ouvinte não é de um disco meloso, mas triste. E sem exageros, é bom alertar. Remete ao Roberto Carlos em sua fase de transição entre a Jovem Guarda e o período romântico, dos idos de 1968.

O ''Rei'' é uma influência constante na música produzida no Rio Grande do Sul, do rock ao pop. A música de Nico também remete aos locais Kleiton & Kledir, seja na forma de cantar ou na busca de canções pop que namoram com o rock e com a MPB. O instrumental, no entanto, soa bem atual, com nuances lounge, clima de trip hop e rápidas guitarras psicodélicas, convivendo em harmonia com piano e violão tocados de forma clássica. Aliado a tudo isso, está um elemento importante (e pouco lembrado) em músicas com este clima: espaços vazios.

''Onde Está o Amor?'' se destaca na discografia do artista como seu trabalho mais pop. É o terceiro álbum solo de sua carreira, sucedendo ''Nico Nicolaiewsky'', lançado em 1996, e ''As Sete Caras da Verdade'', de 2002, que flertavam com o universo de vanguarda. A produção do novo petardo ficou por conta de John Ulhoa (Pato Fu), que neste retribui os bons serviços prestados por Nico, parceiro dos mineiros em vários discos e shows.

Serviço: O CD ''Onde Está o Amor?'', de Nico Nicolaiewsky. O álbum pode ser adquirido no site do artista, no www.niconicolaiewsky.com.br.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 30-01-2008

Som na Caixa: Mad Sin - "The Survival of The Sickest!"


Vinte anos de topete

A banda alemã de psychobilly Mad Sin teve este item de sua discografia, ''The Survival of The Sickest!'', lançado no Brasil há alguns anos pelo selo curitibano Funeral Music, o único no Brasil especializado no gênero. Ainda hoje o disco está disponível, e no atual momento tem um atrativo extra, uma vez que o sexteto está vindo para a capital paranaense dentro de alguns dias para se apresentar durante no Psycho Carnival, o maior evento brasileiro aglutinador de topetes, realizado em pleno feriado carnavalesco.

Dentro do estilo (que em linhas gerais pode ser descrito como uma fusão de rockabilly e punk, acrescido de muito humor negro e referências a horror e cultura trash), o Mad Sin se destaca na cena mundial como um dos nomes com melhor qualidade técnica e artística. É um grupo veterano da cena, que no ano passado completou 20 anos de atividades, com dez álbums lançados. Não faz uso de recursos extremos como o vocal de monstro e a sonoridade excessivamente saturada, o que torna suas músicas são acessíveis até mesmos para os não iniciados no psychobilly. É rock'n'roll de primeira.

O álbum abre a todo vapor com ''Communication Breakdown'', faixa veloz, animada e intensa, dando um panorama do que virá no restante da audição. Na seguinte, ''Revenge'', a velocidade aumenta, graças à agilidade do baixista, ligeiro em seu rabecão acústico. Em ''Sin Is Law (Racket In 711)'' o clima fica mais ameno, remetendo ao rockabilly (esta pode muito bem ser a canção pop do disco, dentro das possibilidades). Ao todo são 16 músicas, com detaque também para as empolgantes ''Conquer The World'' e ''Class Warpath''.

O encarte é generoso, com bonitas imagens de filmes clássicos de terror e suspense, pin-ups e dos próprios músicos. Após este petardo, eles lançaram mais dois, ''Dead Moon Calling'' e ''20 Years of Sin Sin'', mas ainda assim, ''The Survival of The Sickest!'' mantém lugar de destaque como um dos melhores trabalhos de sua discografia.

Serviço:
Álbum ''The Survival of The Sickest!'', do sele Funeral Music
Onde - Livrarias Porto Megastore, em Londrina, e nas Livrarias Curitiba, na Capital.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 23-01-2008

Som na Caixa: Supercordas - "Seres Verdes Ao Redor"


Psicodelia indie da melhor qualidade

A mídia especializada tem dado um espaço considerável para a banda Supercordas, que no último ano foi apontada como artista revelação do rock independente nacional. Foi eleita pela extinta revista Bizz como ''uma das 13 bandas que importam no novo rock'', ao lado de grupos como Arctic Monkeys e Clap Your Hands and Say Yeah. Também já foi classificada por diversos veículos como representante do novo rock rural (assim como a curitibana Charme Chulo).

Esta classificação, no entanto, é precipitada. O Supercordas vem da cidade de Parati, no Rio de Janeiro, que tem uma área rural extensa, e muitas de suas músicas fazem referência à roça, ao verde, à vida longe do urbanismo, mas a conexão direta deles é com os psicodélicos, que sempre curtiram suas viagens lisérgicas em contato com a natureza. Sendo assim, as referências do Supercordas estão mais para as bandas psicodélicas dos anos 60 do que para os músicos caipiras.

Uma das melhores canções do álbum ''Seres Verdes ao Redor'' (lançado pela Trombador Discos) chama-se ''Frog Rock'', e este bem que poderia ser um termo apropriado para classificar o estilo da banda, até porque a música sintetiza a sonoridade das 12 faixas do disquinho: folk rock com vocal viajante, acompanhado de efeitos sonoros espaciais - aí fica a dúvida se os seres verdes do título seriam os sapos, rãs e largartixas que ilustram o belo encarte, ou seriam alienígenas?

No arsenal de instrumentos para gerar toda a chapação sonora estão teclados antigos (órgão Hammond, Mellotron, piano elétrico, casiotone), theremin, percussões das mais variadas, sopros, violão slide, viola de arame e até um serrote (além do triunvirato baixo-guitarra-e-bateria). Muitas das músicas são emendadas sem pausa, gerando suítes lisérgicas, como a que abre o álbum, formada por ''E o Sol Brilhou sobre o Verde'', ''A Charneca'' e ''Ruradélica''. O clima de viagem e o combate ao estresse são garantidos durante os 43 minutos de audição. Indicado para fãs de Mutantes, Mercury Rev, Flaming Lips, Beck até o álbum ''Odelay'' e artistas do combo Elephant 6.

Serviço: O álbum pode ser adquirido no site da banda: www.supercordas.com.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 16-01-2008

Som na Caixa: Apanhador Só - "Embrulho Para Levar"


Originalidade que transita pela diversidade

À primeira vista, a Apanhador Só pode ser confundida com uma banda ''estranha'' por contar com um improvável instrumento em sua formação: uma bicicleta infantil, que passou por algumas transformações que a deixou parecida com uma obra de arte surrealista de Marcel Duchamp. Este é o mais notável dos itens do kit da percussionista Carina Levitan, que também toca em grelhas de churrasco, molhos de chaves, tambores convencionais e usa um laptop para gerar ambiências e efeitos sonoros.

Qualquer semelhança com Frank Zappa, que em sua primeira aparição na tevê executou um concerto para bicicleta percutida, é mera coincidência segundo a garota, que admitiu que não conhecia este episódio da história do rock quando adotou o ''instrumento''. Seja como for, a sonoridade deste grupo porto- alegrense, completado por Alexandre Kumpinski (guitarra e voz), Eduardo Baiano (baixo), Felipe Zancanaro (guitarra) e Drusko da Cunha (bateria) traz uma série de experimentações, e ainda assim soa pop, mas sem as formalidades ortodoxas do gênero, o que garante bons pontos no placar.

''Embrulho Para Levar'' é seu EP de estréia, com uma embalagem que faz jus ao nome. Todo o encarte, feito em papel cartão, é confeccionado de forma artesanal, com toda a arte impressa em carimbo. ''Maria Augusta'', música que venceu o Festival de Bandas do Trama Universitário pela região sul, abre o disquinho. As referências sonoras são muitas, e todas bem dosadas. Psicodelia, jazz, MPB, samba e o rock dos Beatles são os estilos mais notáveis na identidade sonora do Apanhador Só. As letras, sempre curtas, trazem um lirismo sem excessos.

Com tantas características distintas, eles foram aceitos em praias tão díspares que chega a ser assustador ler sobre seus feitos: caíram na graça dos indies, têm o EP distribuído por um selo de rock de vanguarda, já abriram um show para a cantora Maria Rita no Rio de Janeiro, e recentemente foram confirmados para o festival neo-hippie Psicodália! É ver (e ouvir) para crer.

Serviço: O álbum pode ser baixado gratuitamente no site da banda (www.apanhador.com) ou comprado através do selo Peligro (www.peligro.com.br).

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 19-12-2007

Som na Caixa: Nenhum de Nós - "A Céu Aberto"


Ao vivo e sem maquiagem

Com 20 anos de carreira completados, a banda gaúcha Nenhum de Nós comemora a data com o lançamento do projeto ao vivo ''A Céu Aberto'', composto por CD e DVD que registram uma apresentação ao ar livre em sua terra natal, Porto Alegre, onde se concentra seu maior público.

Pode-se dividir a trajetória do grupo em duas etapas. A primeira, de 1987 a 1994 foi a fase do contrato com a gravadora BMG, com cinco álbuns que geraram hits como ''Camila, Camila'', ''Sobre o Tempo'' e ''O Astronauta de Mármore''. A etapa seguinte foi a dos álbuns independentes - seis ao todo. Esta última fase ficou mais evidenciada na escolha do repertório de ''A Céu Aberto''. É justo, pois as canções da época da grande gravadora já foram privilegiadas nos outros dois álbuns ao vivo.

Há duas faixas inéditas, que são os prováveis carros-chefe do projeto. ''Santa Felicidade'', com forte potencial radiofônico, tem mensagem otimista e faz referência ao conhecido bairro curitibano. No CD há uma segunda versão gravada com Orquestra de Câmara. ''Desejo'' é a segunda inédita, que deve ser trabalhada mais adiante.

Aparecem em peso canções dos álbuns ''Paz e Amor'', ''História Reais, Seres Imaginários'', ''Mundo Diablo'' e ''Pequeno Universo'' (deste, há uma versão em espanhol de ''Igual a Você'', rebatizada como ''Igual a Ti''). É claro que também não foram esquecidos os grandes hits do começo da carreira, com novos arranjos, e assim foram pinçadas músicas de quase todos os onze álbuns (só ficou de fora o quarto disco, de 1992).

É um trabalho despojado, sem as firulas e excessos dos registros ao vivo da atualidade. O CD, lançado em outubro, abdica da faixa ''Das Coisas Que Eu Entendo'', exclusiva do DVD, lançado neste mês. Esta música marca o momento do show em que a noite cai no Parque Harmonia, dando um clima mais caloroso ao espetáculo. Leia a entrevista com o Nenhum de Nós no site Bonde (www.bonde.com.br).

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 05-12-2007

Som na Caixa: Battles - "Mirrored"


Fora do comum, em diversos aspectos

Na semana passada o quarteto novaiorquino Battles realizou sua primeira turnê brasileira, que contou com um show em Curitiba, em plena segunda-feira. A apresentação não teve casa lotada, mas quem compareceu ficou surpreso com o que viu e passou o resto da semana comentando sobre o espetáculo, um dos melhores shows do ano na cidade.

O grupo apresentou as músicas de seu primeiro álbum, ''Mirrored'', lançado em maio pela Warp Records, lar de muitos grupos eletrônicos de vanguarda. No entanto, o Battles está mais para o rock, mas não de uma forma convencional. Suas músicas são complexas, com métricas incomuns no ritmo. A bateria marcada lembra sequências de música eletrônica, mas tocada por um músico de carne e osso. Os vocais ganham distorções de um pedal de efeitos da década de 70, que dão um clima alienígena às músicas. Os pedais também abastecem os efeitos para guitarras e baixo.

São comumente classificados pela mídia como math rock (rock matemático), termo que eles detestam, preferindo dizer que fazem música orgânica, o que também não explica muita coisa. O que pode-se dizer é que experimentalismo, hardcore, art rock, jazz e progressivo são alguns dos estilos que compõem sua sonoridade.

À frente da banda estão músicos experientes e com boas credenciais: John Stanier foi baterista do Helmet e também toca no Tomahawk com Mike Patton; Ian Williams (guitarra e teclado) veio do Don Caballero; Dave Konopka (guitarra e baixo) tocou com o Lynx; e Tyondai Braxton (guitarra, teclado e vocais) foi colaborador do Prefuse73 e é sobrinho do jazzista Anthony Braxton.

Entre os destaques do álbum, a hipnotizante ''Atlas'' é a mais conhecida e ganhou um belo videoclipe. ''Tonto'', que também tem clipe, traz um clima mais ameno. ''Rainbow'' poderia ser trilha para desenho animado japonês. Inovador e desde já cultuado, o Battles provavelmente será citado como influência por diversas bandas que venham a surgir na próxima década.

Serviço: O álbum ''Mirrored'' está à venda pela Peligro, ao preço de R$ 40 (ou R$ 36 na promoção do selo), no site www.peligro.com.br

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 28-11-2007

Som na Caixa: Instiga - "Meninocantamenina"


Juventude frutífera

O Instiga é uma banda de prodígios. Com pouca idade, estes quatro jovens músicos de Campinas (SP) chegaram a uma maturidade musical notável. Começaram a banda ainda no colégio, há sete anos. A média de idade dos integrantes hoje está entre os 22 e 23 anos, mas nem por isso eles deixam a adolescência passar - fenômeno dos dias de hoje, em que a muitas pessoas mantêm espírito adolescente mesmo quando se aproximam da casa dos 30.

''Meninocantamenina'', seu segundo álbum, reflete este clima juvenil: é um disco de rock com letras que tratam de temas típicos dessa etapa da vida, como festas, sonhos abandonados, desencontros sentimentais e até piadas internas sobre Harrison Ford (!). O diferencial é a forma como todo esse material é trabalhado. Uma banda jovem teria dois caminhos para escolher. Ou cairia na armadilha das fórmulas fáceis, como o verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão, ou mostraria que um artista novo é um artista sem vícios musicais. O Instiga segue esta segunda opção, mais frutífera.

Os próprios definem sua música como um rock em eterna construção. A base está no som garageiro, sendo que nas 12 faixas do álbum a variação de sonoridades é ampla. Passam pelo rock básico de festa (como ''Olá'' e ''Sabiá''), indie bonitinho cheio de doçura (''Cure-se'' e ''Assoprando'') e até por um som sujo e pesado (''Nós Dois'' e a post-hardcore ''Ivan, o Terrível''), com espaço até para músicas de lamento (''Tempo Escasso'' e ''Carência de Bêbado'').

Dentro de cada canção há surpresas como um solo ''hendrixiano'' aqui, um clima psicodélico ali, uma ginga MPB acolá, sempre soando de forma espontânea. A produção ficou a cargo da própria banda, com finalização de Iuri Freiberger, e a bem cuidada parte gráfica é assinada por Jaime Silveira, designer radicado em Curitiba.

O quarteto formado por Christian Camilo (voz e guitarra), Gabriel Duarte (baixo), Heitor Pellegrina (guitarra) e Pedro Leite (bateria) é um dos contratados do pequeno grande selo Trombador Discos, que tem em seu elenco artistas ascendentes do underground nacional como Supercordas, Os Telepatas, Stuart e Drosophila.

Serviço: O CD ''Meninocantamenina'' pode ser adquirido através do site da banda: www.instiga.com

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 21-11-2007

Som na Caixa: Los Diaños - "Contagem Regressiva Para a Insanidade"


Sem resistências nem limites

Desde seu surgimento, a banda curitibana Los Diaños sempre experimentou idéias diferentes do habitual e isso ficava bem claro em sua música de difícil classificação, que, em linhas gerais, poderia ser resumida em uma fusão de sonoridades vintage jazzísticas com peso e sujeira de estilos roqueiros.

Para o lançamento de seu segundo álbum, ''Contagem Regressiva Para a Insanidade'', a experimentação não ficou restrita apenas à música, mas ao formato. Em épocas de download de músicas na internet e incertezas sobre a melhor forma de comercializar fonogramas no mercado, o grupo teve a ousada atitude e não lançá-lo em CD, mas em um luxuoso vinil, com a possibilidade de baixar o álbum em MP3 de forma gratuita em seu site. A idéia foi bem-sucedida. Segundo o vocalista e trompetista RHS, em um ano a tiragem inicial do vinil já está quase esgotada.

Neste segundo álbum, a formação da banda mudou. Além de RHS (vocal e trompete), Toshiro (baixo acústico) e André Ribeiro (guitarra), entrou o novo baterista Germano Diedrichs e foi incorporado um violinista, Fred Paegle. Todos estes acréscimos contribuíram para melhorar as músicas, tanto em técnica quanto em qualidade artística. A faixa ''Mínima de Cinco'' comprova isto, por ser uma canção do álbum anterior, que foi regravada com novos elementos e um arranjo mais encorpado.

As referências musicais vão do jazz dos anos 30 e 40 ao punk, psychobilly e thrash metal, em músicas com muitas quebras, ainda assim lineares. As letras estão mais diretas, com menos metáforas, mas mantiveram seu tom sarcástico e sutil. As variações de uma faixa para outra são grandes. O disco começa com a explosiva ''Você Se Foi''. Em seguida vem ''Triste Fúria de um Sorriso'', quase em clima de cabaré. ''Café da Manhã'' e ''Deus é Grande Mas Não é Dois'' (título em homenagem a um quadrinho clássico de Lourenço Mutarelli) pendem mais para o jazz, enquanto ''A Pressa é Inimiga dos Dentes'' e ''Mistérios da Sagrada Burrice'' são mais rock - esta última é a faixa de trabalho, com videoclipe caprichado. São ao todo dez faixas, sendo duas instrumentais. Em tempo: a banda se apresenta na próxima sexta-feira no Jokers, em Curitiba.

Serviço: No site da banda é possível baixar o álbum gratuitamente ou comprar o vinil: www.losdianos.com

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 14-11-2007

Som na Caixa: Maxixe Machine - "ABC do LáLáLá"


Maxixe Machine lança disco infanto-juvenil

O filão dos álbuns direcionados ao público infantil anda pouco explorado pelos artistas da atualidade. Vez ou outra surge alguma iniciativa isolada na MPB (como o exemplar álbum de Adriana ''Partimpim'' Calcanhoto) ou de artistas de teatro infantil e arte-educadores - nem vamos entrar no mérito dos discos de apresentadoras de tevê pois estes geralmente deixam de lado o fator educativo que um projeto deste tipo merece.

O grupo Maxixe Machine, de Curitiba, deu este direcionamento a seu quinto álbum. ''ABC do LáLáLá'' foi lançado em junho com shows de matinê para atender ao público-alvo. O trabalho de divulgação por enquanto está modesto, mas merecia ser intensificado para ganhar um alcance maior. As crianças agradeceriam, pois trata-se de um disco didático e divertido, embalado por um instrumental que tem como base o samba de cordas (''percussão não é o forte do curitibano'', como alegavam quando a banda surgiu) e referências a outros ritmos brasileiros com pitadas de rock e folk. Tudo soando de forma agradável aos ouvidos dos pequeninos (e dos adultos também).

A faixa de abertura, com o mesmo nome do álbum, dá uma breve mas abrangente aula de história da música, fazendo um interessante paralelo entre a música dos países frios e quentes, e como isso influencia na sonoridade. Ensinam pra criançada alguns nomes básicos do rock, música negra, clássico e MPB. Como complemento, o encarte traz uma breve explicação sobre cada nome citado, dispostos em um colorido hipertexto (assim ocorre com todas as letras impressas no CD). Só esse material já compensaria para uma criança a falta que faz a disciplina de música no ensino fundamental brasileiro.

Outro grande destaque vai para ''Loloplim'' com seu refrão de onomatopéia. São ao todo 18 faixas bem curtas e de fácil assimilação, mas vão além do básico, e por isso é classificado pelo próprio grupo como um CD infanto-juvenil. Nas letras figuram muitos temas com animais (crianças adoram bichinhos), família, seres mitológicos e personagens históricos.

Serviço: O álbum pode ser adquirido com a banda ao preço de R$ 10 (mais despesas de postagem) pelo e-mail chefatura@gmail.com.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 07-11-2007

Som na Caixa: Ludovic - "Idioma Morto"


Ludovic converte aflições em algo positivo

Aos primeiros momentos de audição de ''Idioma Morto'', último trabalho da paulista Ludovic (favor não confundir com Ludov), a banda apresenta de imediato seu estilo: ritmo frenético de guitarras e bateria, clima claustrofóbico, um vocal que se alterna do soturno ao furioso, com letras perturbadas e intensas. O resultado são 40 minutos de música visceral e nervosa, que andava escassa no rock produzido no Brasil.

No último ano que se encerrou, o álbum figurou em diversas listas de melhores da crítica especializada, causando curiosidade em muitos que não os conheciam, especialmente fora do estado de São Paulo, onde estava concentrada sua agenda de shows. E são neles em que o culto ao Ludovic começa, graças às suas apresentações incendiárias e intensas. Mostram técnica e presença de palco notáveis, com destaque maior para o vocalista Jair Naves, muitas vezes comparado a um Ian Curtis dos porões brasileiros.

A música feita por Jair (voz), Eduardo Praça (guitarra), Ezekiel Underwood (guitarra), Fábio Sant'anna (baixo) e Júlio Santos (bateria) não é óbvia, o que complica na hora de classificá-la. Os selos que lançaram seus discos (Travolta e Teenage In a Box) dão uma pista, pois seus catálogos são direcionados ao lado B do punk, mas há mais influências. As confessas são Sonic Youth, Patti Smith, Joy Division, Mission of Burma e Fellini. Também remetem ao rock de vanguarda dos 80's, como Hojerizah, Patife Band e Vzyadoq Moe.

Jair Naves escreveu todas as letras, nitidamente inspiradas em experiências pessoais frustradas, sonhos perturbadores, golpes aplicados pela vida, entre outros assuntos recorrentes em consultório de psicanalista. Exprimem uma energia até então reprimida, mas que foi liberada (com fúria) através da música. Uma trilha sonora ideal para ler os quadrinhos da fase depressiva de Lourenço Mutarelli. Vale citar que o álbum anterior, ''Servil'', de 2004, ainda está disponível.

Serviço: O disco ''Idioma Morto'' pode ser adquirido através do site da banda: www.ludovic.com.br.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 31-10-2007

Som na Caixa: Charme Chulo - "Charme Chulo"


Charme Chulo combina rock britânico e música caipira de raiz

Surgida em 2003, a curitibana Charme Chulo inicialmente chamou atenção por incorporar uma viola caipira ao seu rock inspirado na banda britânica The Smiths. Na época soava como uma curiosidade, pois o instrumento sertanejo rendia timbres diferentes ao estilo, e a novidade parava por aí.

Anos mais tarde, o grupo potencializou as influências caipiras e assim chegou a uma sonoridade própria e autêntica, um rock rural como nunca foi feito antes no Brasil. No histórico do estilo temos artistas como Beto Guedes, Zé Geraldo, Sá & Guarabira e Kleiton & Kledir, mas estes tinham a música regional como base para receber em pequena escala elementos joviais e ‘‘modernos’’ do rock. Com o Charme Chulo, o caminho percorrido foi o inverso, pois seus integrantes tiveram uma criação musical no rock.

‘‘Charme Chulo’’, o álbum lançado este ano, traz 12 faixas de uma banda amadurecida e autora de um som com personalidade. De imediato, é possível reconhecer as músicas que serão mais pedidas nos shows: ‘‘Mazzaropi Incriminado’’, ‘‘Piada Cruel’’ e ‘‘Não Deixe a Vida Te Levar’’. Também ganham destaque, apesar de menos cantaroláveis, ‘‘Barretos’’, ‘‘Piada Cruel’’ e ‘‘Polaca Azeda’’ (estas duas últimas, regravadas do EP de estréia, de 2004). As letras costumam tratar dos dilemas da vida, aqui tratados com serenidade e até com ironia. A maioria das canções não têm refrão, mas nem por isso elas deixam de ser pop.

Igor (vocais), Leandro (guitarra e viola caipira), Peterson (baixo) e Rony (bateria) não tentam se passar por caipiras urbanos. Eles continuam sendo os mesmos garotos que tocam em uma banda de rock mas que sabem dialogar com uma cultura musical tipicamente brasileira (que a princípio renderia um encontro conflitante), encontrando uma interação saudável entre os dois estilos, criando assim seu diferencial.

Serviço: O álbum pode ser adquirido diretamente com a banda através do site www.charmechulo.com.br por R$ 15 (já com taxa de correio inclusa).

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 24-10-2007

Som na Caixa: Hurtmold - "Hurtmold"


Hurtmold busca jazz mas continua rock

A cada novo álbum, o Hurtmold se consolida como um grupo de jazz rock instrumental (ou post rock, como costumam classificar), ficando mais afastados do rock propriamente dito, de onde eles surgiram. Apesar de mais distantes do estilo, eles nunca o abandonam. Mesmo em meio a linhas trabalhadas de percussão, metais e texturas eletrônicas, é sempre perceptível um espírito rock nas músicas.

Neste quarto trabalho (ou quinto se contarmos o split CD com os estadunidenses The Eternals), a banda faz um trabalho exclusivamente instrumental. Em relação anterior ''Mestro'', o recente álbum homônimo traz um Hurtmold mais percussivo, que faz um uso maior de programações e teclados, sempre acompanhados de boas guitarras.

A primeira faixa, ''Olvécio e Bica'', começa com um alarme falso, uma introdução burocrática e não linear, mas a música ganha ritmo em sua segunda metade. Muitas faixas seguem esta idéia: alterar momentos tensos e claustrofóbicas, com segmentos suaves e ritmados. ''Sabo'', ''Deni'' e ''Halijascar'' são as mais acessíveis, mas nem por isso são músicas fáceis. ''Churumba'' e ''Smootz Da Police'' fazem referências mais nítidas à música brasileira, mesmo apresentando uma guitarra roqueira.

Algumas músicas parecem divididas em movimentos, mas os fãs podem ficar sossegados pois nenhuma delas chega a ser uma peça erudita - esta, aliás, não deve ser a intenção do grupo. Todos os seis integrantes desafiam seus próprios limites, tocando mais de um instrumento, sempre com bom nível técnico, agregando referências musicais das mais diversas e se firmando de fato como músicos (termo muito negado por quem toca em bandas do rock underground brasileiro).

SERVIÇO: O álbum pode se adquirido no site do selo Submarine Records: www.submarinerecords.net.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 17-10-2007

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Música associada a imagem

Aumenta a produção de videoclipes entre as bandas independentes do Paraná, graças principalmente às facilidades da internet

‘Você Já Teve Mais Cabelo’, clip da Banda Poléxia, tem uma vilã que raspa as cabeças dos músicos

Quem acompanha os trabalhos das principais bandas de rock do Paraná deve ter notado que a cada mês é anunciado pelo menos um novo lançamento de videoclipe, seja em shows ao vivo ou na internet - um meio que dispõe de diversas ferramentas para exibição e divulgação de vídeos.

Antes, o único objetivo que as bandas precisavam alcançar com seus trabalhos audiovisuais era a exibição na MTV. Hoje o quadro mudou. ''A Era de Ouro do videoclipe já passou. A MTV virou um canal de entretenimento para jovens'', comenta Fabio Elias, vocalista e guitarrista da Relespública, que lançou há pouco o vídeo da música ''Homem-Bomba''. ''Hoje a tecnologia facilitou o acesso aos clipes, e também à gravação. O retorno para a banda, em termos de divulgação, é muito bom'', acrescenta.

A Relespública disponibilizou ''Homem-Bomba'' em seu site oficial (www.relespublcia.com) e também no www.youtube.com. Hemil Taborda, da banda Subburbia, postou o vídeo de ''Soul Sister'' por lá. ''Hoje eu vejo mais clipe no YouTube do que na MTV, mas ainda assim acho a emissora é um canal importante de divulgação'', opina.

Entre os clipes de artistas locais, Hemil cita ''Mazzaropi Incriminado'' do Charme Chulo como um dos destaques atuais. ''É um vídeo que ajuda afirmar a imagem deles como banda. O clipe é a cara deles. Da mesma forma, o clipe da minha banda passa uma imagem bem nossa, do nosso universo, e eu gostaria que as pessoas nos vissem daquele jeito'', acrescenta.

O Charme Chulo lançou dois vídeos bem acabados este ano. Além do citado por Hemil, foi lançado ''Piada Cruel'', que estreou na última quinta-feira na MTV. ''Para uma banda ter consistência ela precisa ter pelo menos dois clipes de cada álbum oficial'', opina Igor Fillus, vocalista do grupo, que concorda com a observação de Hemil. ''Como não nos encaixamos em nenhum nicho específico, temos que criar nosso próprio nicho, e o clipe ajuda nisso, reforçando a nossa imagem''.

Além da internet, há quem também opte por lançar um CD de músicas e incluir um videoclipe dentro do próprio disco, como fizeram os Sick Sick Sinners. ''Colocar o clipe no CD é um bônus. Quem comprar, não vai ter apenas as músicas, que podem ser baixadas da internet, vai ter também o vídeo em boa qualidade, bem melhor que no YouTube, e isso incentiva as vendas'', opina o vocalista e guitarrista Vlad Urban. ''Ter um videoclipe hoje em dia é uma divulgação muito importante. Para a gente, é fundamental'', acrescenta.

Antes mesmo do novo álbum sair, a banda Poléxia já lançou um primeiro single na Rede, acopanhado de videoclipe. ''É uma boa opção, possível hoje no Brasil, graças à Internet'', comemora o vocalista e guitarrista Rodrigo Lemos. A faixa é ''Você já teve mais cabelo'', que ganhou um vídeo bastante colorido e surpreendente. ''Queríamos algo surreal, inspirado na letra da música. Criamos uma vilã que rapta os integrantes da banda para raspar nossas cabeças. Lá aparecemos de uma forma que as pessoas nunca viram'', antecipa.

Até pouco tempo, havia uma visão da indústria fonográfica sobre a finalidade do videoclipe como meio de divulgação de uma música de trabalho. Desta forma, artistas muito experimentais dificilmente investiam em vídeos, principalmente no Brasil. Como o mercado mudou e as formas de veiculação também, atualmente é viável para uma banda como o Ruído/mm, dona de uma sonoridade pouco acessível, fazer um vídeo.

''Hoje existem mais canais de mídia para os videoclipes. Se fôssemos depender só de televisão, não ia compensar, talvez nem exibissem. Seria muito investimento para pouca veiculação'', conclui o guitarrista Ricardo Pill. A banda filmou um vídeo para a música ''Novíssima'', que segundo ele, deve ser finalizado e lançado ainda este ano.

O Sick Sick Sinners incluiu o clip ‘Beer and Flesh Meat’ como um bônus dentro do CD


Vale qualquer negócio para filmar

Emprestar câmeras, pedir desconto no aluguel de equipamentos, convidar estudantes de artes audiovisuais para dirigir, pedir liberação no trabalho para fazer as filmagens durante um dia inteiro. Vale qualquer negócio para associar uma música a imagens em movimento, seja em uma produção amadora ou com profissionais da área.

A produtora Destilaria do Audiovisual, por exemplo, filmou quatro clipes este ano. ''As bandas negociam com a gente, e fazemos um levantamento de acordo com o que eles precisam. Sabemos que os independentes não podem investir muito mas mesmo enxugando os custos, um clipe não sai por menos de dois mil reais'', explica Lucas Negrão, que montou a produtora com outros três colegas, das áreas de publicidade, design, rádio & TV.

Muitos dos trabalhos estão sendo exibidos na MTV, que segundo Lucas, está mais flexível em relação aos formatos. Além da universidade, a equipe da Destilaria passou por um curso de cinema de Curitiba.

É interessante notar que vários outros vídeos de bandas feitos na cidade têm direção de alunos da CINETVPR, universidade de cinema que está formando sua primeira turma. ''Para mim, o videoclipe dá liberdade para experimentação. Com ele é mais fácil usar vários tipos de linguagens e narrativas, ou até descartar a narrativa'', observa Fabio Allon, que trabalhou em videos das bandas OAEOZ, Fuzz e Je Revê De Toi.

Entre alguns nomes vindos da escola estão João Krefer (que dirigiu o clipe do Wandula), Bruno Oliveira (Mocambo), Wellington Sari (Mordida), João Marcelo Gomes (Poléxia), Diko Fiorentino, Daniel Rodrigues e Daniel Ozzkeith Grizza. Ozzkeith, que dirigiu o clipe do Subburbia, está experimentando novas linguagens para o clipe do Delta Cockers, ainda em finalização. ''Filmei com duas câmeras fotográficas digitais, vou juntar com cenas de show e com grafismos gerados por um software que transforma som em imagens. Isso tem muito a ver com a proposta da banda'', antecipa.

> Publicado originalmente na Folha de Londrina de 23-11-2008

Coluna Camarim, 02 de novembro de 2008

Em terra de cowboy
A banda curitibana Hillbilly Rawhide foi a única atração paranaense do Goiânia Noise, um dos maiores festivais independentes de rock do Brasil. O sexteto que revive estilos que deram origem ao rock, como country de raíz e bluegrass, foi muito bem recebido. Segundo o vocalista Mutant Cox (vulgo Coxinha), o público pediu bis diversas vezes. Nisso, tocaram por 40 minutos, em vez dos 30 minutos regulamentares. De lá seguiram para Uberlândia (MG) e Piracicaba (SP), junto da banda argentina de surf music Tormentos. ''Em Uberlândia a galera pirou. Tinha gente que surfava com prancha de body board em cima do público'' comentou.

S.O.S. SC
Nesta quinta-feira, o Hillbilly será uma das atrações de um evento beneficente no Hangar Bar, ao lado das bandas Blindagem, Relespública, Motorocker e Trem Fantasma. A entrada é um quilo de alimento não perecível, roupas, agasalhos ou cobertores, que serão doados às vítimas das enchentes em Santa Catarina (não será aceito dinheiro como entrada).

Super-8
A festa de premiação do festival Curta 8 notabilizou-se pelo formato inteligente. No último dia do evento dedicado a curtas-metragem rodados em super-8, cada diretor premiado era chamado ao palco para receber os prêmios e, em seguida, seu filme era exibido. Assim, valorizava-se cada trabalho, o público não ficava perdido, e todos assistiam a uma sessão com o ''filé mignon'' do festival. Entre os destaques estavam o belga ''Justine's Dream'' e os locais ''Cru'' e ''Esmarteza''. O festival foi realizado entre terça e quinta-feira no Teatro da Caixa. O cineclube Diínamo está estuando a possibilidade de exibir os premiados em uma de suas sessões, realizadas às quartas-feiras no espaço cultural Paralelo.

Na disputa
As bandas do Estado são as mais bem cotadas do programa Mtv Procura com Cachorro Grande, segundo enquete no site da emissora. Neste reality show, o quinteto gaúcho conheceu várias bandas do Sul, e em breve escolherá uma delas para abrir um show. Até ontem, os primeiros lugares da enquete eram Subburbia, A XI Geração da Família Palim do Norte da Turquia, Trilöbit, New Ones e Dissonantes, nesta ordem.

79 anos
O músico, compositor, arranjador e maestro Waltel Branco, não por acaso nascido no Dia do Músico, ganhou uma comemoração de aniversário à altura de sua importância, há pouco mais de uma semana no Teatro do Paiol. Além do concerto de violão clássico que tinha como repertório composições de sua autoria, houve o lançamento de seu primeiro livro de partituras, que foi distribuído a todos que compareceram ao espetáculo - incluindo vários musicistas ilustres da capital.

Foto: Banda Hillbilly Rawhide, de Curitiba (Theo Marques)

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 02-12-2008

Coluna Camarim, 25 de novembro de 2008

Discotecagem de luxo
Andy Rourke, que foi baixista da banda britânica The Smiths passou por Curitiba na última quinta-feira, quando realizou uma discotecagem no Vox Bar. O ex-colega de Morrisey fez uma seleção variada, com algumas músicas de bandas surgidas nos últimos anos (como CSS e The Strokes), década de 90 (Primal Scream), alguns skas (Specials e The Slektor), mas o grosso mesmo foram os anos 80 (com várias de sua antiga banda).

A presença de Rourke ofuscou um pouco outra novidade da noite: a abertura do piso superior do Vox, onde foi construído um elegante e confortável restaurante. Um dos cômodos do novo espaço é dedicado à memória do jornalista China Meneghetti, falecido no começo deste ano. Em uma das paredes estão escritas várias frases boêmias do repertório do homenageado, como "Bebida é a droga dos tímidos", "O Bar, o bar é nosso lar" e "Curitiba é um lugar excelente para você perder a adolescência".

Para privilegiados
Assistir a uma banda local no Guairão é uma experiência rara e gratificante. Na quinta-feira passada, o público curitibano teve esta oportunidade, quando a Relespública realizou o show lançamento de seu novo álbum, "Efeito Moral". Fabio Elias (guitarra e voz), Emanuel Moon (bateria) e Ricardo Bastos (baixo) tocaram 22 músicas para um teatro lotado, com participações especiais de músicos convidados e um forte coro do público nas canções mais conhecidas.

O roteiro da apresentação teve uma interessante dinâmica. Quando a cortina se abriu, Fabio e Ricardo estavam no fosso móvel do palco, que se elevava à medida que a primeira música rolava. Perto do final, uma outra cortina, no fundo do palco, foi aberta revelando um cenário que imita as imagens do videoclipe da música "Homem-bomba", faixa de trabalho do novo disco. Após a apresentação, os músicos estavam no saguão do teatro, dando autógrafos para fãs das mais variadas idades. Noites com bandas de Curitiba no Guairão poderiam ser menos raras, mas ainda assim, gratificantes.

Tom Waits à brasileira
Ainda pouco conhecido por aqui, o cantor Renato Godá fez sua primeira apresentação na capital paranaense, promovendo o lançamento do novo álbum. O Jokers Pub montou mesas diante do palco, conferindo um clima apropriado para a música, que remete a cantores como Tom Waits, Leonard Cohen e Arnaldo Antunes, com banda de jazz. Excelente apresentação vista por poucos. Provavelmente vai gerar um boca-a-boca que fará com que o próximo show por aqui seja mais procurado.

Foto: Apresentação da Relespública no Teatro Guaíra (Marcelo Stammer / Divulgação)

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 25-11-2008

Coluna Camarim, 18 de novembro de 2008

Prova de Fogo
A noite de sexta-feira passada foi uma prova de fogo para o grupo britânico Saravah Soul, que se apresentou no John Bull Music Hall, em Curitiba. A razão disto: em sua formação está o vocalista curitibano Otto Nascarella, que mora há alguns anos em Londres. A missão foi cumprida com êxito. Este primeiro show em sua terra natal teve casa cheia, público animado, banda afiada e clima de festa. Que voltem mais vezes.

Um fato curioso é que a banda está acostumada e se comunicar com o público em inglês, mas para os shows no Brasil, Otto teve que fazer adaptações para o português, mas não foi tarefa tão fácil, apesar de ser sua língua pátria. ''O humor inglês e o brasileiro são muito diferentes. Há piadas do show que não iam funcionar aqui. Até a dinâmica de show mudou. Aqui não dá pra começar a apresentação chamando o público de cara, ele tem que ser conquistado primeiro'', comenta surpreso.

Vanguart
Na mesma noite, os cuiabanos do Vanguart tocaram no Jokers, após dois anos sem se apresentar na capital paranaense. De contrato assinado com a Universal Music, devem lançar em breve um álbum ao vivo, segundo relatos do vocalista Hélio Flanders.

Elogios
Ganhar reconhecimento em casa é bom. Melhor ainda se vier de alguém de fora. Na semana retrasada, a banda Nuvens tocou no Curitiba Master Hall. Ao final do show, Daniel Quartin, produtor do grupo paulista O Teatro Mágico, para quem a Nuvens abria, subiu ao palco para elogiar a banda e incentivar o público. ''Valorizem os artistas locais, que estão fazendo um trabalho excelente'', disse ao microfone.

Ainda sobre a Nuvens: no dia 6 de dezembro eles fazem show comemorativo de um ano. Para enfatizar seu trânsito entre as várias formas de arte, o show será em uma sala de cinema, o Cine Água Verde, e contará com participações especiais, não somente de músicos, mas também de artistas gráficos, segundo adiantou o vocalista Raphael Moraes.

Aniversário
Na mesma data, também será o aniversário do espaço 92 Graus, o lendário porão roqueiro de Curitiba, que completa 17 anos de atividades. Geralmente seu proprietário, J.R. Ferreira, organiza o festival National Garage em comemoração à data. Mas desta vez, a comemoração vai ser mais modesta, com dois dias de shows e discotecagens. Segundo ele, o final do ano é um período complicado pra organizar um festival, tanto para a produção quanto para as bandas. Ele garante que o National Garage vai voltar, provavelmente na metade do ano que vem.

Foto: Otto Nascarella, do Saravah Soul (Rodrigo Juste Duarte / Divulgação)

> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 18-11-2008