Aumenta a produção de videoclipes entre as bandas independentes do Paraná, graças principalmente às facilidades da internet
Quem acompanha os trabalhos das principais bandas de rock do Paraná deve ter notado que a cada mês é anunciado pelo menos um novo lançamento de videoclipe, seja em shows ao vivo ou na internet - um meio que dispõe de diversas ferramentas para exibição e divulgação de vídeos.
Antes, o único objetivo que as bandas precisavam alcançar com seus trabalhos audiovisuais era a exibição na MTV. Hoje o quadro mudou. ''A Era de Ouro do videoclipe já passou. A MTV virou um canal de entretenimento para jovens'', comenta Fabio Elias, vocalista e guitarrista da Relespública, que lançou há pouco o vídeo da música ''Homem-Bomba''. ''Hoje a tecnologia facilitou o acesso aos clipes, e também à gravação. O retorno para a banda, em termos de divulgação, é muito bom'', acrescenta.
A Relespública disponibilizou ''Homem-Bomba'' em seu site oficial (www.relespublcia.com) e também no www.youtube.com. Hemil Taborda, da banda Subburbia, postou o vídeo de ''Soul Sister'' por lá. ''Hoje eu vejo mais clipe no YouTube do que na MTV, mas ainda assim acho a emissora é um canal importante de divulgação'', opina.
Entre os clipes de artistas locais, Hemil cita ''Mazzaropi Incriminado'' do Charme Chulo como um dos destaques atuais. ''É um vídeo que ajuda afirmar a imagem deles como banda. O clipe é a cara deles. Da mesma forma, o clipe da minha banda passa uma imagem bem nossa, do nosso universo, e eu gostaria que as pessoas nos vissem daquele jeito'', acrescenta.
O Charme Chulo lançou dois vídeos bem acabados este ano. Além do citado por Hemil, foi lançado ''Piada Cruel'', que estreou na última quinta-feira na MTV. ''Para uma banda ter consistência ela precisa ter pelo menos dois clipes de cada álbum oficial'', opina Igor Fillus, vocalista do grupo, que concorda com a observação de Hemil. ''Como não nos encaixamos em nenhum nicho específico, temos que criar nosso próprio nicho, e o clipe ajuda nisso, reforçando a nossa imagem''.
Além da internet, há quem também opte por lançar um CD de músicas e incluir um videoclipe dentro do próprio disco, como fizeram os Sick Sick Sinners. ''Colocar o clipe no CD é um bônus. Quem comprar, não vai ter apenas as músicas, que podem ser baixadas da internet, vai ter também o vídeo em boa qualidade, bem melhor que no YouTube, e isso incentiva as vendas'', opina o vocalista e guitarrista Vlad Urban. ''Ter um videoclipe hoje em dia é uma divulgação muito importante. Para a gente, é fundamental'', acrescenta.
Antes mesmo do novo álbum sair, a banda Poléxia já lançou um primeiro single na Rede, acopanhado de videoclipe. ''É uma boa opção, possível hoje no Brasil, graças à Internet'', comemora o vocalista e guitarrista Rodrigo Lemos. A faixa é ''Você já teve mais cabelo'', que ganhou um vídeo bastante colorido e surpreendente. ''Queríamos algo surreal, inspirado na letra da música. Criamos uma vilã que rapta os integrantes da banda para raspar nossas cabeças. Lá aparecemos de uma forma que as pessoas nunca viram'', antecipa.
Até pouco tempo, havia uma visão da indústria fonográfica sobre a finalidade do videoclipe como meio de divulgação de uma música de trabalho. Desta forma, artistas muito experimentais dificilmente investiam em vídeos, principalmente no Brasil. Como o mercado mudou e as formas de veiculação também, atualmente é viável para uma banda como o Ruído/mm, dona de uma sonoridade pouco acessível, fazer um vídeo.
''Hoje existem mais canais de mídia para os videoclipes. Se fôssemos depender só de televisão, não ia compensar, talvez nem exibissem. Seria muito investimento para pouca veiculação'', conclui o guitarrista Ricardo Pill. A banda filmou um vídeo para a música ''Novíssima'', que segundo ele, deve ser finalizado e lançado ainda este ano.
Vale qualquer negócio para filmar
Emprestar câmeras, pedir desconto no aluguel de equipamentos, convidar estudantes de artes audiovisuais para dirigir, pedir liberação no trabalho para fazer as filmagens durante um dia inteiro. Vale qualquer negócio para associar uma música a imagens em movimento, seja em uma produção amadora ou com profissionais da área.
A produtora Destilaria do Audiovisual, por exemplo, filmou quatro clipes este ano. ''As bandas negociam com a gente, e fazemos um levantamento de acordo com o que eles precisam. Sabemos que os independentes não podem investir muito mas mesmo enxugando os custos, um clipe não sai por menos de dois mil reais'', explica Lucas Negrão, que montou a produtora com outros três colegas, das áreas de publicidade, design, rádio & TV.
Muitos dos trabalhos estão sendo exibidos na MTV, que segundo Lucas, está mais flexível em relação aos formatos. Além da universidade, a equipe da Destilaria passou por um curso de cinema de Curitiba.
É interessante notar que vários outros vídeos de bandas feitos na cidade têm direção de alunos da CINETVPR, universidade de cinema que está formando sua primeira turma. ''Para mim, o videoclipe dá liberdade para experimentação. Com ele é mais fácil usar vários tipos de linguagens e narrativas, ou até descartar a narrativa'', observa Fabio Allon, que trabalhou em videos das bandas OAEOZ, Fuzz e Je Revê De Toi.
Entre alguns nomes vindos da escola estão João Krefer (que dirigiu o clipe do Wandula), Bruno Oliveira (Mocambo), Wellington Sari (Mordida), João Marcelo Gomes (Poléxia), Diko Fiorentino, Daniel Rodrigues e Daniel Ozzkeith Grizza. Ozzkeith, que dirigiu o clipe do Subburbia, está experimentando novas linguagens para o clipe do Delta Cockers, ainda em finalização. ''Filmei com duas câmeras fotográficas digitais, vou juntar com cenas de show e com grafismos gerados por um software que transforma som em imagens. Isso tem muito a ver com a proposta da banda'', antecipa.
> Publicado originalmente na Folha de Londrina de 23-11-2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
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Um comentário:
Quanto maior a possibilidade, maior é a mesmice. Tem que surgir novos conceitos. A idéia de clip que estão filmando é manjada demais. Cai num sacolão de loja de esquina, nada atrativo. Está na hora de desconectar com a normalidade, fazer arte e não vídeo propaganda....
abs hermano Digão!
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