O samba dos pinheirais
O álbum ''Branco'' do cantor, compositor e instrumentista paranaense Guêgo Favetti causa surpresa, a começar pela primeira faixa, ''Polaco Nagô'', um samba tradicional, de arranjo percussivo, (e de ótima qualidade) pouco visto e ouvido no repertório dos artistas do Estado que se dedicam à música brasileira.
A inquietação sobre o pouco desenvolvimento que o estilo musical teve no Paraná, cuja colonização gerou um predomínio da cultura européia, é retratado em um texto de apresentação do produtor artístico Ricardo Corona, publicado no encarte.
No entanto, o álbum contraria este 'status quo' e mostra que é possível, sim, fazer bom samba, não apenas no estado, mas no Sul do país. Afinal, se o Rio Grande foi lar de um dos grandes nomes do gênero, Lupicínio Rodrigues, e Santa Catarina tem uma admirável tradição de escolas de samba na capital, o Paraná também tem direito.
Além de sambas dos mais variados tipos, como o samba-canção, samba-jazz, choro e até partido alto, o disco também traz flertes com a MPB tradicional, bossa nova e milongas, invariavelmente com referências à cultura local nas letras - todas as composições são de autores de Curitiba, como Claudio Menandro, Marcelo Sandmann, Luiz Felipe Leprevost, Ricardo Corona e o próprio Guêgo Favetti.
Realizado através da Lei Municipal de Incentivo à cultura, ''Branco'' teve uma produção primorosa, com gravação impecável e presença de músicos e arranjadores de primeira linha. O nome do disco é uma dupla homenagem ao maestro Waltel Branco (que assina o arranjo de ''Vou Pra Ribeira'') e à cidade de Pato Branco, onde Favetti e Corona participaram de diversas rodas de samba.
Serviço: O álbum ''Branco'' pode ser adquirido pelo e-mail: mmgfavetti@uol.com.br
> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 05-03-2008
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