Hardcore furiosoEm seus 18 anos de existência, os capixabas do Dead Fish passaram o período mais recente de sua trajetória morando em São Paulo. Este talvez seja o motivo que faça seu novo álbum soar tão rápido, pesado e direto. Ao mesmo tempo em que resgata a energia do começo do grupo, ''Contra Todos'' (lançado pela Deck Disk) também soa como o trabalho mais maduro lançado até então.
Com apenas uma guitarra devido à saída de Hóspede, a sonoridade está mais crua no atual formato quarteto, composto por Rodrigo (vocais), Nô (baterista que deixou a banda antes de lançar esse disco, sendo substituído por Marcão), Alyand (baixo) e Phillippe (guitarra). Esta crueza é refletida também na arte do álbum, inspirada na linguagem dos fanzines, veículos de comunicação independentes que tanto ajudaram a divulgar o trabalho da banda pelo Brasil afora.
Sem se deixar levar pelos modismos do hardcore atual (em que letras melosas e histórias de fracassos amorosos imperam), o Dead Fish se mantém fiel ao discurso de protesto, cheio de palavras de ordem, a começar pelos nomes de algumas músicas, como ''Venceremos'', ''O Melhor Exemplo do que Não Seguir'' e ''Armadilhas Verbais''. Esta característica se manteve inalterada mesmo com a contratação do grupo por uma grande gravadora, em 2004.
Seu hardcore ao mesmo tempo que é melódico, é também brutal e pancada. As letras em português (com exceção de ''Shark Attack'') se encaixam perfeitamente à massa sonora pesada, e isso poucas bandas do gênero conseguiram no Brasil. Neste quesito, o Dead Fish fez um belo trabalho de antropofagia, transformando um estilo musical californiano em algo próprio deles.
> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 04-03-2009
Nenhum comentário:
Postar um comentário