Ecos dos barzinhos enfumaçadosDe seus primeiros dez anos de carreira musical, quando trabalhava como músico de bar, o cantor mineiro Vander Lee trouxe para os álbuns de estúdio as influências de importantes nomes da MPB, que constantemente faziam parte de seu repertório. Neste sexto disco, ''Faro'' (DeckDisc), a escola como intérprete ecoa em um bom número de composições próprias.
A faixa de abertura ''Eu e Ela'', por exemplo, remete ao conterrâneo Milton Nascimento. ''Baile dos Anjos'' lembra Chico Buarque na maneira de cantar. Já ''Fui'' é Djavan puro, enquanto ''Farol'' traz lembranças de João Gilberto. Em meio a tantas referências, o cantor imprime um estilo mais peculiar de cantar na afro-brasileira ''Do Bão'', na suingada ''Nega Nagô'' e na jazzística ''Nunca Não''.
Se no canto Vander Lee não se desvencilha de seus mestres, nas letras ele mostra um trabalho autoral mais forte e com personalidade própria. Tanto que já teve composições gravadas por cantoras como Elza Soares, Gal Costa e Emilinha Borba. Ainda assim, ele não dispensa duas covers: ''Ninguém Vai Tirar Você de Mim'' (de Roberto Carlos, em versão black com participação do rapper Renegado) e ''Obscuridade'' (não exatamente uma cover, mas um poema musicado de Cartola, que é a cereja do bolo desse disco).
> Publicado originalmente na Folha de Londrina em 22-04-2009
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