Novo formato contou com uma grade mais integrada para contemplar todas as atrações
Neste ano, o Tim Festival não se expandiu para o Paraná, como nas duas últimas edições, que arrastaram grandes públicos para a Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Segundo dados oficiais, a produção decidiu ''concentrar esforços na edição paulista, cujo novo formato teve uma configuração mais próxima à do Rio, com uma grade integrada e contemplando todas as atrações''. Além das metrópoles, houve uma versão reduzida em Vitória (ES), que foi possibilitada justamente por ser de pequeno porte.
Corre por fora a informação de que esta concentração de atenções nas capitais do eixo seria tomada para minimizar possíveis incidentes que marcaram a edição do ano passado, como problemas técnicos e grandes atrasos. A julgar pelo que foi visto em São Paulo - pela proximidade, a praça escolhida pelo público paranaense interessado em ver os shows -, valeu a pena. Não houve grandes atrasos (quando havia, era de meia hora, dentro da normalidade de eventos como este) nem problemas técnicos gritantes.
A curadoria centrou-se em nomes menos conhecidos da música pop, com exceção do rapper Kanye West, que abriu na quarta-feira as atividades da Arena do Parque Ibirapuera, o palco pop. Com produção faraônica, o show dividiu opiniões. A quinta-feira, marcada pelos cancelamentos (The Gossip na arena e Paul Weller no auditório), trouxe animação apenas no show do Klaxons, que transformou a arena em pista de dança. Conhecidos como o maior nome da new rave, o grupo mostrou que o termo é uma falácia criada pela mídia musical. O Klaxons é um bom grupo de indie rock dançante com referência nos anos 80, e só. No auditório, muitos assentos estavam vagos devido à derrocada dos fãs de Paul Weller, substituído por Roberta Sá e Arnaldo Antunes. Marcelo Camelo fez sua estréia solo na capital paulista, mas não encontrou o público fanático que geralmente é visto em suas apresentações.
Na sexta-feira, o povo estava animado, dentro do clima do festival. No Auditório, uma platéia mais velha vibrava com as apresentações virtuosas dos jazzistas Tomaz Stanko, Enrico Pieranuzi e Bill Frisell. Na Arena, Junior Boys abriu sem empolgação. O eletrônico Dan Deacon tocou no meio do público, agitando a moçada. O melhor show, não só da noite, mas do festival, foi o do Gogol Bordello, combo multiétnico liderado pelo carismático e frenético Eugene Hutz. Sabendo como incendiar um público, começaram com músicas mais punk, para mais tarde executar as que têm sonoridades mais folclóricas. Os DJs Switch e Yoda tocaram em seguida.
O encerramento, no sábado, teve um clima mais sóbrio. Rosa Passos fazia uma bela retrospectiva de sua carreira no auditório. Na Arena, o Cérebro Eletrônico fez um mix de Mutantes com rock atual. The National realizou um show maduro e de boa qualidade, que evocava o clima soturno de Joy Division, mas com simpatia. Já o MGMT foi pura imaturidade, tanto visual quanto sonoramente. Era decepcionante ver um grupo com um disco tão bom fazer um show tão largado.
É notável lembrar do show gratuito que o lendário saxofonista Sonny Rollins realizou na manhã de sábado no Parque do Ibirapuera para uma multidão formada pelos mais variados tipos de públicos. Esta extensão com a comunidade foi um dos pontos mais marcantes da edição deste ano do Tim Festival.
O jornalista viajou a convite do festival.
> Publicado originalmente na Folha de Londrina de 28-10-2008
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Tim Festival em versão mais concentrada
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